O dia em que uma pretensão morreu

Logo que as grandes manifestações começaram, surgiu uma convocação de greve geral no dia 26 de junho. Essa data foi modificada para o 1º de julho, posteriormente, não sei exatamente o motivo. Posso apenas especular que no dia 26, uma quarta-feira, a adesão não seria tão grande quanto em uma segunda (fazendo um “feriadão”) ou para dar um pouco mais de tempo. Ou mesmo resolveram apostar contra o Brasil nos campos, acreditando que com uma derrota na final da Copa das Confederações, o “povo” estaria mais disposto à protestar (apenas levando a hipótese, mas eu mesmo não acredito que seria por isso). Fato é que a conclamada “greve geral” foi um dos maiores fiascos já registrados para os “Anonymous” das redes sociais.

Se analizarmos como o direito de greve nos é garantido, poderemos perceber um pouco dos motivos da falha dessa greve geral. Greve é legal no Brasil se for dado aviso, com 48 ou 72 horas de antecedência, pelo sindicado que representa determinada classe, de que ela ocorrerá. Daí já vemos dois problemas: 1) convocar não é dar aviso; 2) nenhuma entidade sindical apoiou essa demonstração (referência). Logo, já de cara, do ponto de vista legal, não houve amparo algum. Assim, podemos imaginar que o cidadão comum possa se sentir constrangido por estar realizando algo ilegal. Verdade que para revolucionar, há de se quebrar com algumas leis vigentes. Mas seria esse o intuito dessa greve?

A pauta de reinvidicações é outra questão. Em nenhum momento se fala em nova constituinte ou algo com o tom mais “revolucionário”. São coisas imediatas, até para dar um pouco mais de foco, o que seria um ponto positivo. Contudo, o que o Governo Federal, representado pela Dilma, tem feito foi propor um pacto e chamar os representantes de ambos os lados para discutir e chegar a uma solução. Leiam aqui o que um especialista de peso diz a respeito disso. A força que essas ações tem refletem diretamente no público que se mobiliza para as demonstrações. A chamada para uma “greve geral” cada vez aparece mais como um exagero.

Agora, o principal. Aquilo que acho ser o maior motivo do fiasco, assim como será o motivo do esvaziamento das manifestações atuais: a falta de um líder. Todas as revoluções ou manifestos que tiveram sucesso na história da humanidade tiveram um líder em que as pessoas puderam se mirar. Alguém com carisma e empatia, um exemplo a ser seguido e admirado. A idéia de que cada um é seu prórpio líder e que isso pode ser um motor para o sucesso das manifestações é falsa. Um líder não pode ser uma máscara, sentado atrás de um teclado e monitor ou de um smartphone. Não basta mostrar que seus valores e causas são nobres ou que vale a pena lutar por aqueles objetivos. O líder tem que estar na linha de frente, dando a cara a tapa! Além de tudo isso, o líder é aquele que direciona nos momentos de crise e que pode ser convocado para uma mesa de negociações. É aquele em que podemos confiar nossos anseios por simples transferência, seguros de que seremos por ele representados.

É esse vício que levará os “Anonymous” ao seu lugar original (e fazem muito bem, por sinal): a denúncia, a exposição. Enquanto mantiver a máscara de Guy Fawkes, mesmo pintada com a bandeira nacional, verá apenas seus anseios de liderança serem consumidos pelas instituições democráticas de fato.

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