Depois da calmaria…

Mas que merda! Por que tem que ser assim? Por que?!? A vida seria muito boa se eu não tivesse que suportar essa encheção de saco. Tá bom… é o meu ganha-pão e dizem que tenho talento pra isso, mas pouco me importa. Eu só queria poder terminar essa merda de livro que nem sei como foi que tive inspiração pra começar. Mas é tudo culpa dela! Aquela vaca tinha que ser perfeita! Tinha que ser exatamente como eu queria, não tinha? Um escritor não precisa disso… precisa da contradição, porra! Precisa de um bom paradoxo, de briga, de desilução e sofrimento!
E pensar que a Rosana, uma idiota, cretina e linda, que me deixou na rua da amargura, comendo o pão que o diabo amassou, na sarjeta e não sei quantos mais ditados clichês, me rendeu três livros! Três “best sellers”! Um deles, o de poemas, o melhor de todos até hoje. Teve a Priscila também. Quantos contos não escrevi pensando e me lamuriando enquanto eu sabia que ela estava lá, me pondo chifres, freneticamente. Me rendeu mais um livro, depois que o Agnaldo, meu editor, leu aquele calhamaço de choramingos e revoltas e fez uma seleção. Não me opus… precisava do dinheiro. Afinal, bebida e cigarros são artigos caros, ainda mais se consumidos no ritmo que eu gosto. No ritmo que me diverte.
Eu podia ter conhecido outra como a puta da Renata, ou mesmo uma chata como a Cris. Mas não. Tinha que conhecer a Joyce. Tão maluca quanto eu só que bonita (eu sou feio pra caralho). Minha fã, vejam só. Resolveu abrir as pernas pra mim e eu, bobo, moleque, ingênuo que sou, como todo o homem diante de um belo par de seios e/ou glúteos, fui atrás, pensando que ia ser divertido. E foi, muito! Apesar de tudo, conseguimos dar certo como casal. Que merda… lá se foi minha inspiração. Não escrevi nada que prestasse desde que estamos juntos. O Agnaldo me diz que até vai publicar esse último (se eu conseguir terminar essa bodega no prazo) só porque “já tenho um nome”. Saco! Nem pra isso mais eu presto.

O que essa merda de celular quer agora? Mensagem da Joyce… quer conversar sério comigo hoje à noite…
Puta que pariu! É isso! Vou já digitar esse final triunfal, antes que ela mude de idéia!

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