Contos de João – parte 4

Chegou o tão esperado dia! Eu era só ansiedade. Nair se arrumava na casa de sua mãe, enquanto eu ia fazendo os preparativos na minha.
Meus padrinhos eram apenas meus irmãos. Não tinha muitos amigos. Apenas um, o Sven. Ele era um dinamarquês que havia se mudado para o Brasil, a tentar uma vida longe da terra natal. Ele tinha um emprego razoável: ajudava a preparação da abertura da Sears no Brasil. O conheci em um bar do centro. Apesar do português enrolado, ele era muito gente boa. Tanto que foi quem verdadeiramente me proporcionou a possibilidade de casar.
Sven havia me indicado para trabalhar também na preparação da Sears, como um assistente geral. Assim como me alugou um dos quartos de seu apartamento na Urca (que na época era longe de ser o bairro valorizado que hoje conhecemos).
Curioso que não eu somente tinha um “superior” do trabalho como padrinho: o chefe de Nair fora convidado por ela para ser padrinho. E ela, toda feliz, veio me contar que ele arranjara uma limosine para levá-la até a igreja. Perguntei se não era muita pompa para um casamento tão simples. Com um olhar maroto e as mãos na cintura, me perguntou, brincando: – Não acha que mereço, isso, coração?
Eu, como bom espécime de macho, respondi comfirmeza e sem pestanejar! – Óbvio que merece, fofurinha!
E assim foi! Ela chegou mais linda do que nunca, dentro daquela limosine, entrando flutuando,pairando pelo meio das cadeiras enfileiradas. Eu não ouvi sermão algum e mal me lembrei de responder sim depois dos votos, quais eu repetia como um robô. Nair me causou um torpor sem tamanho! Parecia que havia somente ela, um universo inteiro na minha frente. Nem eu mesmo havia.
Trocamos as alianças, recebemos as bençãos finais, nos dirigimos, ovacionados, até aquele carro enorme, que nos levaria até nossa nova casa, na Urca. Não teríamos mais do que isso como lua de mel. E tinha importância?
Mas na vida, nada é simples. Eu bem reparei que o padrinho-chefe de Nair desaparecera no meio da missa. Pensei eu que se tratava de uma emergência fisiológica, afinal não estamos todos sujeitos a isso? Mas nada do fulano voltar. Jacir Oliveira Sobrinho. Esse era o nome do meu primeiro desafeto como chefe de família. Por que? O carcamano, fio duma égua sem pai, NÃO pagou a limosine.
– Enfim Nair! Chegamos na nossa casinha!
– Seu João, queria dar uma palavrinha com o senhor…
– Pois não, chofer… Qual sua graça?
– Roberto. Preferia que não fosse na frente de sua esposa. (disse ele com um cochicho)
– Nair, vai subindo e me espera na porta, pois vou te levar no colo para dentro, meu amor!
– Tá bom, João, mas não se demore. (disse ela com a voz desconfiada)
– Seu João, eu fico sem graça com a situação, mas preciso que o senhor me pague.
– Como?
– O seu Jacir me contratou, mas disse que o senhor ia acertar comigo no final da cerimônia. Como já estou acostumado, logo percebi que o senhor não estava sabendo. Então eu sinto muito, mas o senhor vai ter que me pagar.
Ainda argumentei, maspercebi que se não o pagasse, não seria mesmo o diacho do Jacir quem honraria a dívida. Paguei aquela pequena fortuna, restando apenas algo como 80 centavos no meu bolso (trocando em míudos, eram todas as minhas posses junto com Nair).
E assim começou minha vida de casado, com o coração cheio de felicidade e o bolso vazio!

CONTINUA.

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4 respostas para Contos de João – parte 4

  1. Dona Mila disse:

    Você escreveu “sinto” com “c”. SSSSSinto muito, tive que zuar.

    Quem mandou me deixar curiosa? Rá!

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