Contos de João – parte 3

Confesso que não foi fácil. Usei de toda a minha lábia (contando com o apoio, sutil, quase velado, mas eficaz, de seu Adalberto, meu novo sogro). Ia casar com Nair dali a seis meses.
Depois de firmado esse compromisso, meu acesso à casa dela foi permitido e a patrulha do trem acabou. Entretando, em sua casa, a companhia de dona Geni era constante. Até para pegar um café era Nair que fazia para todos, eliminando toda e qualquer privacidade que por ventura pudéssemos desfrutar. Ah, mas não tinha a menor importância. Eu estava feliz em saber que casaria com ela. Tinha certeza que era o amor da minha vida.
Nem tudo eram flores, porém. Ainda precisávamos ver aonde íamos morar e como íamos nos sustentar. Um passo de cada vez, João, dizia eu para mim mesmo, procurando me acalmar para colocar as idéias em ordem.
– Nair, eu acho que podíamos casar somente no civil. O que acha?
– Olha, por mim tudo bem… mas será que meus pais vão concordar com isso? Minha mãe é muito religiosa…
– Tem que consulta-los mesmo?!?
– João! Você sabe que sim. Pra não termos problemas. Afinal, agora que já temos uma pequena paz, não vamos querer jogar tudo pro alto, certo?
Como sempre ela tinha razão. Tanto na questão da paz, como em saber que dona Geni não ia querer que nos casássemos somente no civil.
– Dona Geni, queria conversar com a senhora sobre o ritual do casamento em si…
– Ah, que bom João! Bom que tocou nesse assunto! Já marquei a igreja. Contratei um organista e as flores. Aqui está a conta. Não precisa pagar agora. Somente uma semana antes do casório.
Não pude acreditar! Tenho certeza que fez de propósito! Aquele valor era muito para mim. Teria que fazer o impossível para arcar com aquilo tudo. Foi difícil, mas aceitei o desafio. Era como se fosse uma provação, para garantir que eu poderia cuidar de Nair de maneira apropriada, financeiramente. Porque apesar dela trabalhar, ganhando mais do que eu inclusive, eu não poderia nunca depender somente dela. Teria que ajudar também no sustento da casa.
E naqueles meses que antecederam o casamento, eu trabalhei como um condenado, fazendo todo o tipo de serviço que aparecesse. Juntei o dinheiro quase exato para pagar a cerimônia.
Finalmente, havia chegado o tão esperado dia! Mas quem disse que tudo eram flores?

CONTINUA.

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2 respostas para Contos de João – parte 3

  1. Dona Mila disse:

    ai, tenso!
    Para de gandaiar em Bz e termina logo?

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