Contos de João – parte 2

Certo dia, fui visitar Nair em sua casa, como de costume no fim de semana, já que nossos encontros eram praticamente todos em dias úteis, no trem entre Cavalcante e o Centro. Eu ia até lá em um horário em que os pais dela estavam na missa de domingo, entrava, tomava um café, trocávamos olhares e carinhos. Não havia programa melhor do que aquele de domingo pela manhã.
Mas, mãe que é mãe, sabe quando tem algo errado. Então, para minha surpresa (não deveria ter sido tanta surpresa assim), nesse domingo havia uma corrente no portão. Uma corrente grossa, cheia de elos, toda enrolada e bem presa por um cadeado portentoso. Chamei por Nair, mas quem veio foi a mãe. A proteção contra minha pessoa era tanta que até mesmo abdicou da missa dominical para garantir a proibição do namoro!
– Seu pé-rapado! Saia já daqui! Minha filha não é pro seu bico!
– Mas, dona Geni… eu amo sua filha.
– Ama? Ama?!? Isso pouco me interessa… minha filha não precisa de um pé-de-chinelo como o senhor.
Nisso, vem Nair, lá de dentro, contrariada com a atitude extrema de sua mãe.
– Mãe… eu já sou bem crescida!
– Cale sua boca! Me respeite!
– Mãe… deixa eu falar só cinco minutos com o João… prometo que não o vejo mais…
Fiquei estarrecido com aquela afirmação.
– Está bem. Se é para a despedida, eu deixo.
E ela voltou para dentro de casa, ainda esbravejando outras coisas impublicáveis.
– João… vamos namorar às escondidas, tá bom?
E assim disse Nair, com um sorriso maroto no rosto, como se até gostasse daquela situação.
– Está bem! Amanhã, no trem!
– Isso! Nos vemos lá!
E assim foi. Continuamos a nos ver, mas aquela situação, apesar de excitante, não me agrada muito… eu nunca ia conseguir evoluir em meu relacionamento com a Nair, pois precisaria do aval da família, o que nunca teria. Por parte de seu pai, até acho que sim… ele era mais simpático a minha pessoa. Mas a mãe nunca daria o braço a torcer.
Até que, uma semana depois do acontecimento daquele domingo, estávamos eu e Nair, de braços dados no trem, como de costume, quando de repente:
– SUA VAGABUNDA!
Disse a mãe dela, gritando, enquanto puxava o cabelo da filha para trás, até quase derrubá-la no chão.
– O que significa isso? Já não disse que não era para ficar andando com esse João ninguém! Vamos para o outro vagão!
Não tive tempo de protestar, enquanto dona Geni levava a filha, aos prantos, de vergonha e dor, arrastada pelos cabelos para o outro vagão.
Fiquei um tempo sem vê-la. Parece que a mãe andava fazendo patrulha no trem, junto com a filha. Só via uma solução para a situação… então, fui até a casa de Nair.
– Nair! Nair!
– Você de novo, traste?
– Dona Geni, quero pedir a mão se sua filha em casamento!

CONTINUA.

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2 respostas para Contos de João – parte 2

  1. Dona Mila disse:

    Sério, de onde vc tira essas coisas? Sério!

  2. Priscila disse:

    hahahahaha tô me divertindo!

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