As armas e os barões assinalados…

Há dias em que a simples contemplação da natureza nos dá uma inspiração fantástica! Hoje é um exemplo: mar calmo, sol brilhando, brisa fresca, gaivotas voando e pescando. Dois irmãos aproveitam esse momento para se sentarem, despreocupados, na areia branca, sem ninguém mais ao redor.

– Manuel, já viu um mar tão bonito como esse?
– Não, Pedro. Nunca vi.
– Faltava apenas a Anna.
– Não posso crer que ainda está com essa moça na cabeça.
– Mas ela é lindíssima, Manuel. Aqueles olhos… aquela pele…
– Ha, Pedro! E aonde isso vai lhe levar? Você sabe que nossos pais nunca permitiriam nada entre você e uma serviçal.
– Não me entenda mal, irmão. Há uma grande diferença entre o que quero com ela e o que torna-se necessário se falar aos pais. Se ainda fosse casamento…
– Pedro, Pedro…
– De qualquer maneira, hoje é um dia perfeito!
– Também acho, irmão. Você tem andando bem ocupado, não? Quase não lhe vejo. Parece até que anda se escondendo.
– Olha… até que estou mesmo.
– Pedro! Não está fazendo nada que possa desabonar nossa família, correto?
– Vamos logo ali. Quero lhe mostrar algo.
– O que é?!?
– Venha logo e lhe mostrarei!
– Está certo.
E os irmão foram caminhando até alguns arbustos formados pela restinga. Pedro, afastando os galhos, mostra seu projeto a Manuel.
– Uma jangada?
– Sim! Não está ótima?
– Aonde aprendeu a construir isso?
– Livros, meu caro. Assim como conversas com alguns pescadores.
– O que você pretende, afinal?
– Ah! Vou navegar! Vou até os limites desse mar!
E, com essa frase, Pedro provoca gargalhadas no irmão. Ele não se chateia.
– Ora, Pedro… acha mesmo que vai conseguir com isso apenas? No máximo uma légua! Pelo menos vejo que está se empenhando nos estudos. – diz Manuel, ainda com dificuldades em se conter.
– Não seja bobo! – exclama Pedro – É óbvio que não será com essa simples jangada. Mas esse é o começo e temos que começar por algum lugar. Digo-lhe mais: acredita mesmo que existe um limite? Um término pra toda essa água? Isso é uma tolice! Olhe uma esfera de perto e verá. Não sei explicar o porque, mas e se o mundo fosse uma grande esfera? Poderíamos dar a volta ao seu redor!
– Ah, irmãozinho. Você é mesmo um sonhador. É a grande vantagem dos mais jovens, moço fidalgo. Quero eu viver para ver seus feitos! – diz Manuel, novamente rindo.
– Vamos voltar para a beira antes que alguém nos veja aqui.
– Claro. Vamos. Continue com seus estudos e provavelmente conseguirá. Mas não fale disso assim tão alto. Os padres podem não aprovar.
– Sim, irmão. – diz Pedro com um sorriso no canto do rosto – Sei muito bem disso.
E ambos voltaram a se sentar e conversar, contemplando o mar e todas as possibilidades que dele advém.

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4 respostas para As armas e os barões assinalados…

  1. Dona Mila disse:

    Lembrei daqueles imortais de Lost, o Jacob e o fumaça preta (é isso?), conversando ao pé da estátua gigante. Mas ainda acho que rolava do Pedro se chamar Cristóvão, né não?

    Ah, sim, e que safado esse Pedro, hein? Só afim de um sarro com a moça… sem vergonha!

    • Marcelo disse:

      Não acredito que você não sacou qual é o Pedro da história. Hehehehe
      Ah, e ele é igual a todos os homens nesse quesito… 🙂

  2. Dona Mila disse:

    Ué, era pra eu ter sacado? Eu?? EU???

    To mais confusa que o título agora…

    Voce me fez sentir burra. Vou dormir de calça jeans e te chutar sem querer a noite toda.
    Te amo, hunf.

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